Hoje apeteceu-me escrever sobre casamentos reais, porque nem sempre temos tempo para pensar no casamento, na vida para além do passar a ferro, limpar a casa, dar banhos, meter roupa lavar, estender, apanhar, fazer compras, cozinhar...enfim já estou cansada e com vontade de me deitar!
Se de pensar já estou exausta, imaginem depois de concretizar estas tarefas todas depois de um dia de trabalho! É normal que nem dê conta que existe um Ser, com um 1,86m, que partilha todas estas tarefas comigo.
Sim, o trabalho de doméstica é tão monopolizador da vida das mulheres, que nem sempre nos damos conta que existem outras pessoas que fazem parte da nossa equipa, e também se cansam, também se aborrecem, também são domésticos e ocupam a segunda parte do seu dia nas mesmas tarefas que nós, não em todas, mas a contribuir numas para nós colocarmos em prática as outras.
Eu pessoalmente, tenho um marido que é doméstico tal como eu!
A verdade é que passamos a maioria dos nossos dias a preocupar-nos com o que temos para fazer para a casa e para os filhos, e esquecemo-nos que temos marido, e por consequência deixamos que o marido também esqueça que tem esposa!
Somos o pai e a mãe!
Depois existem todas as diferenças entre os Homens e as Mulheres que levam a que este esquecimento se vá prolongando no tempo: As mulheres consideram que os maridos têm a obrigação de perceber que elas precisam de tempo para namorar, que lhes devem fazer surpresas, que as devem levar a passar fins de semana para poderem apimentar a coisa, que lhes devem todos os dias relembrar que as amam, que elas são fantásticas e espetaculares, super mulheres e super mães!
Os Homens por sua vez consideram que com uma bela noite de amor, tudo está resolvido e a esposa está pronta para ultrapassar as semanas, meses e anos de doméstica e mãe de família...no limite se a levar ao shopping, ela vai ficar em total delírio e completamente recomposta psicologicamente! (Esta parte é verídica, MAS se por vezes for acompanhada de um belo hotel, jantar e distância das tarefas domésticas!)
Estes pensamentos e formas de ser, que fazem parte da essência do Homem e da Mulher abrem o ciclo: a mulher quer mais do Homem e coloca-o de castigo (se é que me faço entender!!), o homem está de castigo, fica fulo e ainda fica mais desatento às necessidades emocionais da esposa... e pronto temos o "Baile Armado" , como se diz na minha terra!
Claro que isto são coisas de pobre, pois com dinheiro é sempre possível fazer uma viagem, sair da rotina, ir de fim de semana... enfim!
Gente pobre discute porque quer que o marido as leve a passear, mas depois percebe que com o saldo familiar que dispõe, no limite pode ir passear à Marina da Amieira e é se for logo no inicio do mês!
Muitas vezes, nesta azafama em que andamos, neste estado depressivo, nesta ansiedade por ter uma vida melhor, esquecemo-nos (Homens e Mulheres) que somos felizes, que temos companheiros, pessoas que estão do nosso lado nas funções de pais e mães, de domésticos, de gestores de saldos familiares. Todos os dias nos podemos deitar ao lado de alguém a quem nos podemos abraçar, alguém com que podemos desabafar, alguém com quem criamos uma cumplicidade que nos permite partilhar a intimidade e as nossas coisas pessoais, alguém com quem brigamos, mas continua ali, não fugiu ao primeiro embate, ao primeiro obstáculo, alguém que apesar de por vezes lhe apetecer mandar-nos para longe, para tão longe que não não seja possível ouvir a nossa voz ou sentir a nossa presença, continua ali, a acreditar, a lutar, a amar... porque amar é isto, é estar ao lado, é apesar de muitos dias ser quase invisível, continuar ali, é ser cúmplice, é ser companheiro, é não abandonar o barco, é persistir nas maiores tempestades... podemos não ter o barco que sonhamos, mas certamente somos uma boa dupla de capitães, pois não permitimos que o barco afunde e continuamos a procurar a ilha onde iremos encontrar todos os nossos sonhos.
Amigas isto é para mim, para nós, para os nossos maridos e para todos aqueles que não permitem que os barcos afundem!
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